domingo, 22 de janeiro de 2012

2ª reunião de 2012 na antiga Bezerra

A 2ª reunião de 2012 do grupo Famalicão em Transição será amanhã,  segunda-feira, dia 23 de Janeiro, às 18:15h, na Pastelaria Maria Bolacha (antiga Confeitaria Bezerra, Praça D. Maria II, 1024).

Será a primeira vez que irei ao Maria Bolacha. Foi com tristeza que recebi a notícia de que a Confeitaria Bezerra, que ainda patrocinou um dos últimos eventos de Famalicão em Transição em Setembro passado, tinha encerrado. A Confeitaria Bezerra ficará sempre ligado a memórias de infância, a memórias de Famalicão. Memórias de pessoas, de atendimento com simpatia, memórias de um espaço, de doçaria de qualidade.

Fica a recordação com a transcrição da parte "Paciências e gentilezado artigo da famalicense  Joana Loureiro "Cem anos a adoçar a boca", na Visão de 13/12/2010 (foto de Lucília Monteiro):


"Paciências e gentileza


Há caras eternamente associadas a um espaço. É o caso de Rodolfo Carneiro, 70 anos, um dos sócios da confeitaria Bezerra, em Famalicão. Ali está desde os 13 anos, a servir ao balcão com uma atenção pouco comum nos dias de hoje. Existem gestos repetidos de geração em geração. Quando se compra a peso há sempre um exemplar que escapa da gaveta e se dá a provar ao cliente. "Estas gentilezas são recordadas e fazem a diferença", diz o senhor Rodolfo.
Mas os predicados da casa, com cerca de 120 anos - não se sabe a data precisa - não se ficam pela simpatia. Falemos das queijadinhas, dos charutos, do pão-de-ló, dos doces de romaria ou das miniaturas, algumas das especialidades que lhe trouxeram fama. "Só temos máquinas para bater a massa, o resto da produção é toda artesanal", conta Luís Bezerra, 48 anos, cujo avô, Álvaro, era genro do fundador da casa. Para o doce branco ou os charutos, por exemplo, ainda é preciso "fazer as mãos", isto é, os dedos dos pasteleiros ganham uma camada de açúcar que depois cobre delicadamente os doces. O nome "paciências" poderá também vir do labor com que os biscoitos são confecionados, com a massa especial a sair de uma boquilha de três bicos. Os segredos das receitas, esses, mantiveram-se dentro da família e são respeitados religiosamente.
O espaço atual - fronteiro à Fundação Cupertino de Miranda, outrora um cliente fiel - é apenas uma pequena parte do que existia. Antigamente, onde hoje está um centro comercial, havia não só a confeitaria, mas também uma mercearia, uma venda de vinhos e a própria produção. A Bezerra prestava ainda apoio ao Cinema Olímpia, há muito desaparecido. Contudo, a remodelação feita em meados dos anos 80 preservou ares da traça antiga, com o longo balcão de madeira, os bolos à espreita nas gavetas de vidro do armário, as velhas caixas de ferro, o relógio da Boa Reguladora parado no tempo ou o varão usado para os clientes se encostarem ao balcão. O nome Bezerra, entretanto, chegou mais longe, tendo agora mais duas casas em Braga."

1 comentário:

  1. Pois sim . Querida Amiga . Depois de meia centena de anos e desdes estas terras distantes . Recordo perfeitamente uma infancia cheia de essas imagems de tradição netamente famalicense. O Bezerra , ao lado da chapelaria Oliveira Y enfrente a paragen dos carros de praça ainda de preto e verde , ao fundo na esquin o Banco Portugues do Atlantico e muitas outras que fican inesqueciveis na nossa memória como un tesouro bem guardo na memoria de uma historia vem vivida

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