domingo, 14 de agosto de 2011

Princípios da Rede de Transição (Transition Network)


 (Fonte: tradução de

"Os princípios importam

Importam porque as pessoas com quem lidamos no dia-a-dia esperam que os respeitemos. Importam porque eles são o modo como enfrentamos os problemas, achamos soluções e interagimos com as pessoas. Importam porque o campo em que operamos pode abalar-nos de muitas formas e é importante ter algo sólido a que se segurar.

Estes são os princípios a que a Rede de Transição (Transition Network) aspira como uma organização, e esperamos modelá-los de forma que outros “transitantes” os adoptem.

Não estão esculpidos em pedra, e se um campo vasto da transição acha que devem mudar, serão bem vindas as propostas. Esta página está aberta a comentários para esse propósito.

Nesta página, listamos os princípios da transição, os princípios da permacultura e as características dos sistemas resilientes – todos eles são parte do surgimento da transição.

Princípios da Transição

1. Visão Positiva
 Só poderemos criar aquilo que podemos visionar:
  • Se não conseguirmos imaginar um futuro positivo, não o poderemos criar.
  • Uma mensagem positiva ajuda as pessoas a enfrentar os desafios destes tempos.
  • A mudança está a acontecer - a nossa escolha é entre um futuro que queremos ou um futuro que nos acontece.
  • As Iniciativas de Transição são baseadas na dedicação à criação de visões da comunidade em questão para além de sua dependência actual dos combustíveis fósseis, tangíveis, claramente expressas e práticas.
  • O nosso foco principal é potenciar possibilidades e oportunidades pela positiva, e não fazer campanha contra as coisas
  • A criação de novas histórias e mitos são fundamentais para este trabalho visionário.
2. Sensibilização - ajudar as pessoas a ter acesso a boa informação
  • As Iniciativas de Transição dedicam-se, em todos os aspectos do seu trabalho, à sensibilização aos problemas do pico do petróleo e das alterações climáticas e questões relacionadas, como a crítica ao crescimento económico. Ao fazê-lo, reconhecem a responsabilidade de apresentar essas informações de maneira articulada, acessível e chamativa, de modo a permitir que as pessoas se sintam envolvidas e com poder de mudança, em vez de impotentes.
  • Numa época em que a informação disponível é profundamente contraditória, as Iniciativas de Transição focam-se em dizer às pessoas a versão mais próxima da verdade que conhecemos.
  • As mensagens não são directivas, respeitando a capacidade de cada pessoa para dar uma resposta que apropriada à sua situação.
3. Inclusão e Abertura
  • As Iniciativas de Transição de sucesso precisam de um contributo da sociedade na sua diversidade, dedicando-se a garantir que os seus processos decisórios e os seus grupos de trabalho incorporem princípios de abertura e inclusão.
  • Cada iniciativa deve procurar alcançar a comunidade na sua totalidade, envolvendo, desde o início,  a comunidade empresarial local, os diversos grupos da comunidade e as autoridades locais.
  • Torna explícito o princípio de que não há, no desafio energia descendente, não há espaço para o pensamento "eles e nós”.
  • Num projecto de transição com sucesso, cada habilidade ou capacidade é valiosa.
  • São precisos bons ouvintes, jardineiros, pessoas que gostam de fazer e consertar tudo, discussões, engenheiros de energia, arte e música inspiradora, construtores, projectistas, gerentes de projecto,…
  • Use a sua paixão e faça dela a sua contribuição - se não há um projecto de trabalho na área você é apaixonado, crie um!
4. Activar a partilha e o trabalho em rede
  • As Iniciativas de Transição dedicam-se a partilhar os seus sucessos, fracassos, reflexões e ligações em várias escalas através de toda a rede de Transição, de modo a mais construir um amplo corpo colectivo de experiência. 
5. Construir Resiliência
  • Este princípio salienta a importância fundamental da construção de resiliência, ou seja, a capacidade das nossas empresas, comunidades e localidades de lidar da melhor forma possível com os impactos externos.
  • As Iniciativas de Transição comprometem-se a aumentar a resiliência através de uma ampla gama de áreas de actuação (alimentos, economia, energia, etc) e também nas várias escalas que pareçam apropriadas (do local ao nacional) - e colocá-las no contexto global da necessidade de fazer tudo o que pudermos para garantir a resiliência ambiental em geral.
  • A maioria das comunidades no passado - uma ou duas gerações atrás – tinham as ferramentas básicas necessárias para a vida, como produção e conservação de alimentos, confecção de roupas, e construção com materiais locais.
6. Transição Interior e Exterior
  • Os desafios que enfrentamos não são apenas causados por erros nas nossas tecnologias, mas são um resultado directo de nossa visão de mundo e sistema de crenças.
  • O impacto da informação sobre o estado do nosso planeta pode gerar medo e dor - que pode ser a base do estado de negação em que muitas pessoas são apanhadas.
  • Os modelos psicológicos (por exemplo, de mudança comportamental) podem ajudar a entender o que realmente está a acontecer e a evitar processos inconscientes de sabotagem à mudança.
  • Este princípio também honra o fato de que a Transição singra porque permite e apoia as pessoas a fazer aquilo por que são apaixonados, aquilo que se sentem chamados a fazer.
7.  A Transição faz sentido - a solução é do mesmo tamanho que o problema
  • Existem muitos filmes e livros que sugerem que a mudança de lâmpadas, reciclagem e conduzir carros menores pode ser o suficiente. Isso faz com que um estado chamado de "dissonância cognitiva" - um estado em que lhe foi dada uma solução que você sabe que não vai resolver o problema.
  • Nós olhamos para o sistema como um todo e não apenas uma parte, porque estamos diante do fracasso de um sistema e não de uma falha de um único problema.
  • Trabalhamos com a complexidade, baseando a resolução dos problemas na imitação da natureza
8. Subsidiariedade: auto-organização e tomada de decisão ao nível adequado
  • A intenção do modelo de transição não é centralizar o controlo ou a tomada de decisões, mas sim trabalhar com todos para que as decisões sejam tomadas ao nível mais adequado, prático e capacitador, do mesmo modo que os dos sistemas naturais são capazes de se auto-organizarem.
  • Criamos formas de trabalho que sejam fáceis de copiar e de se espalhar rapidamente."

4 comentários:

  1. Parabéns amiga Manuela!

    Definitivamente, Famalicão só tem a ganhar tendo-a na vanguarda deste e doutros projectos.

    Beijinho

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  2. Manuela
    Voce teve uma ideia magnifica
    com amizade e carinho de Monica

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  3. Amiga Fernanda

    Gentileza e bondade sua :-)

    Gostaria muito de saber a sua opinião sobre a tradução...é que ainda sou do tempo em que se estudava apenas 3 anos de inglês :)

    Obrigada, beijinhos e bom domingo.

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  4. Olá Mónica

    Não sei muito bem a que se refere, se à tradução ou se ao grupo Famalicão em Transição, mas seja como for, muito obrigada.

    Uma abraço :)

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